quarta-feira, janeiro 17, 2018

PoeThais

Xal, xal
vou dormir cedin 
pra acordar o Sol
miando de mansin




quinta-feira, janeiro 11, 2018

Amor Incondicional




Toda jornada de traz em si um simbolismo poderoso:
quando matar o dragão, romper a maldição e salvar a princesa, é a SI mesmo que encontrará.
Eis a sua Verdade. Você é, sempre foi, o seu Amor Incondicional.


quarta-feira, janeiro 10, 2018

Sonhos





Sonhei que dormíamos na rede. Você pediu pra eu lhe massagear as costas.
Mas quando lhe toquei, virou um pássaro bonito, aninhado em meu colo.
Então com cuidado acariciei as penas, que foram ficando douradas. Fechei os olhos, ou algo assim, quando voltei a olhar, você tinha virado um ovo de ouro. Ajeitei o quadril e tentei balançar a rede me apoiando nas palmeiras.
Acordei com o barulho os livros desabando, eu tava é empurrando o pé do teclado.

(em 9 de janeiro de 2018, Rio de Janeiro).

terça-feira, janeiro 02, 2018

A (auto)EDUCAÇÃO DO PENSAMENTO E DO OLHAR

A foto do menino em Copacabana expôs a força que os estereótipos plantados pela cultura racista do Brasil ainda tem. Fui educada pra ser racista pela TV, pela escola, pela justiça, pela família, pela literatura infantojuvenil, pelos contos de fadas, pelos desenhos animados, pelo mercado de trabalho, pelas revistas "femininas", pelos jornais, até pela linguagem que usamos! 
Não penso que o fotógrafo seja mau sujeito. Ele não expôs de forma nociva o menino no que seria os critérios que o ECA condenaria: degradante, difamatório, ao perigo... Tive o cuidado de verificar a página dele e a imagem sequer tem legenda. Tá lá pura. É nosso olhar que impõe uma narrativa que nunca existiu.
Na quinta série me apaixonei pelo garoto mais bonito, inteligente e boa gente de minha sala. Ele era negro (faleceu num acidente de carro aos 18 anos). Era o único negro no corpo de alunos, apenas na cantina e varrendo o pátio haviam negros. Não haviam professores negros, e pelo menos até minha formatura nunca um diretor ou diretora negra. Ele tinha uma família super politizada, e sem dúvida sua influência foi vital pra eu conseguir, dentro de minhas limitações de criada em micro-bolha, começar a desconstruir a lavagem cerebral que fazem com as crianças nesse país – lembro que cresci com a cara enfiada na TV matinal vendo animações importadas onde TODOS os heróis eram brancos com nomes em inglês. Toda corte da "rainha" Xuxa era oxigenada. Já tinha filho no colo quando a primeira telenovela com protagonista negra foi feita. Ou seja: os principais canais de construção de narrativas da sociedade no semi-analfabeto Brasil sempre foram absurdamente propagadoras de racismo. Quem não percebe isso, só mostra que a lavagem-cerebral teve sucesso, e continua tendo.
No meu primeiro dia como professora de artes e dei uma aula sobre Representatividade, explorando o tema do racismo e machismo nas artes e publicidade.
Repeti em todas as aulas o mote: arte é narrativa que constrói sociedade. Estudar e aprender Arte na escola é VITAL.
Não é à toa que o ensino de artes é muitas vezes visto como algo "menor" e professor de arte o "fazedor de brinde ou decorador das festas" (tem muita direção por aí que vê assim).
É de propósito.
Arte pode ser assustadora e maravilhosa por questionar e libertar, ou cruel por oprimir e acorrentar.
A Arte mostra que podemos mudar tudo se quisermos.
Através dela experimentamos possibilidades, questionamos ideias e ideais.
Que perigo pros conservadores...
Ouvi de pessoa próxima: "pra que a meninada tem de aprender música? arte? cultura? fotografia? capoeira? jongo? literatura? O importante é matemática e ser treinado pra trabalhar!"(onde iriam trabalhar sendo limitados às funções que há muito tempo uma calculadora de bolso já cumpria é a questão chave), e ainda, de um muito ex-namorado: "bando de vagabundos (os artistas), mamadores de tetas do governo" (como se o governo não tivesse ele de estar à serviço da sociedade na formação da cultura que à consolida).
A sociedade é racista, quem cresce nela será deformado por doutrinações racistas.
É preciso ao menos tentar olhar por cima destas vendas que nos colocam desde que somos registrados no cartório, estar disposto a quebrar o muro, lutar contra o racismo e primeiramente o racismo que trazemos implantado dentro de nós.
Na imagem: diante da vitrine de um banco "protegida" com grandes pontas de ferro, uma menina dorme sob um jornal junto a cãozinho. Um menino estende a mão com pires num gesto de súplica enquanto acolhe outra criança menor com abraço. É também um cruel estereótipo, daquele que pra descolar teremos de rever a fundo a questão da distribuição de renda e oportunidades em nosso país, mas não antes de decidir o que nos assusta mais: ver criança no chão da rua ou desconstruir o sistema ao qual nos acostumamos onde crianças não são prioridade sobre o lucro dos poucos.
Ah, no reflexo do vidro mais estereótipos: o jovem classe média, a madame arrumadinha, o executivo padrão em seu terno.
Todos dis-traídos com seus smartphones.